Páginas

Mostrando postagens com marcador The Monument. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador The Monument. Mostrar todas as postagens

sábado, 28 de julho de 2012

The Monument ou Teria sido alvo de preconceito étnico?




Eu não era o único a aguardar a abertura do Monument. Uma família composta de uma senhora, um rapaz de uns vinte e poucos anos e uma adolescente de uns dezesseis anos, conversavam em árabe, aparentemente, enquanto aguardavam. As duas mulheres não usavam nenhum tipo de lenço na cabeça. Pouco antes de abrir, o rapaz, em um inglês standard muito bom, veio me perguntar se eu sabia a altura do monumento. Eu chutei uma altura, e disse que sabia apenas que a construção era mais alta, e menos visitada, que a London Eye. Ele deu continuidade à conversa, uma família simpática.


Após a abertura, cedi passagem à família, que agradeceu com um largo sorriso. A escadaria é mais cansativa do que a da Sacre Coeur, e a senhora e eu ficamos meio que para trás, e fomos conversando. Eu achei que eles tinham ido com a minha cara.









Dá para ver pelas fotos que valeu bem a pena. Estávamos os quatro lá em cima conversando sobre a vista e Londres. Sentindo-me aceito, perguntei: vocês são de onde? - Da Áustria, e você? - Eu sou do Brasil.





As mulheres não esboçaram nenhuma reação diante da minha resposta. Mas o rapaz contorceu o rosto, ficou profundamente espantado com o fato, e, a partir daí, mudou completamente de atitude para comigo.



Aos leitores brasileiros: os europeus, de modo geral, não sabem NADA do Brasil, eles pensam que nós somos todos afrobrasileiros e que falamos espanhol, eu constatei isto por diversas vezes em Paris e agora em Londres. Eles só nos conhecem pelo futebol, nem mesmo carnaval é assim tão famoso. Eu entendi a reação do rapaz, e num primeiro momento, compreendi e não fiquei ofendido.



Por mais três ou quatro ocasiões tentei me socializar com o jovem, mas ele olhava seguidas vezes para o meu braço e para o meu rosto, com expressão de incredulidade. Perguntei se ele gostava de rock, e mostrei a usina de Battersea, capa de um disco de Pink Floyd. Ele fingiu que entendeu e encerrou o assunto. Em mais duas ocasiões ele reagiu como nós reagimos diante de um vendedor, de um pedinte, de algum pela-saco qualquer. Continuei tirando fotos e deixei para lá.











A família desceu antes de mim, a mãe e a garota se despediram, mas o cara não. Pensei: a Áustria não tem um passado histórico de grande igualdade para com os povos asiáticos, outro dia mesmo tinham um presidente ex-oficial nazista (papo bravo). Fiquei triste.

Desci alguns minutos depois, e a família estava debatendo alguma questão. Abri um mapa e pus a me localizar. O rapaz veio em minha direção, com ar de que queria informações.

Eu já tinha dado oportunidade para o jovem se retratar. Fingi que não vi e fui embora. Tolerância tem limite.


The Monument (2)



Acordei cedo e fui para a City subir no Monument. Cheguei às nove horas e não havia ninguém na fila. Aproveitei para tirar umas fotos das proximidades e pesquisar preços de refeições.

















Às 9h e 28min tirei esta foto para por em questão a pontualidade britânica. Em seguida, um senhor inglês muito rosado e simpático chegou dizendo: em dois minutos estará aberto. Não deu outra, rs...









The Monument
























O Munumento foi construído em memória do grande incêndio de Londres de 1666. Com 43 metros de altura tem uma vista superior à do London Eye. Estava fechado. Voltei lá outro dia e passei por uma experiência inédita.