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sábado, 30 de julho de 2011

Premier arrondissement


















Se tem uma coisa que eu arrependo de não ter feito foi andar de bicicleta. Tive uma oportunidade em uma manhã no Marais, por volta das oito horas, com as ruas quase desertas, pois a classe média parisiense só começa a trabalhar às 10 horas! Até as nove horas é mais deserto do que o Brasil entre as quatro e cinco da manhã. Deixei para o dia seguinte e acabei esquecendo.

Funciona da seguinte maneira:

a) você procura um dos guichês automáticos da Vélib, não há muitos, tem que procurar um pouco;
b) você escolhe entre uma tarifa de 1,70e por apenas um dia, ou 8e por uma semana. Os moradores locais optam pela inscrição de um ano, por 19e.
c) por meio de cartão de crédito você autoriza o depósito de 150e que lhe será restituído quando devolver a bicicleta a um dos muitos postes espalhados pela cidade (mas a sua administradora do cartão lhe cobrará a transação em moeda estrangeira);
d) você recebe um cartão magnético que destravará a bicicleta, e pode andar nela à vontade, pelas ciclovias e passeios;
e) os primeiros trinta minutos são gratuitos, e a partir daí cobra-se 1 ou 2e por hora suplementar. Assim, por exemplo, quem andar quatro horas pagará 7e.
f) Os parisienses trocam de bicicleta a cada 29 min e assim andam de graça, pagando apenas a inscrição no cadastro.

É muito utilizado pelos jovens profissionais entre 25 e 40 anos, mulheres sobretudo.

Maiores informações: http://www.velib.paris.fr/


Abastecendo o apartamento. Onde comprar?

                                                                                  Foto: Amanda Dias

Assim que chegamos ao apartamento na Rambuteau a minha preocupação foi abastecê-lo com comida e outras utilidades. A título de informação, saiba que:

a) as principais redes são: Monoprix, Franprix, Bon Marché e Carrefour.

Perguntei ao taxista se ele escolheria entre o Monoprix ou o Franprix e ele afirmou seguro de que o Franprix é o mais barateiro. Acredito que ele tenha razão mas a diferença é pequena. Há dezenas de Franprix/Monoprix espalhados pela cidade, você os encontrará aos montes. Há um gigantesco Carrefour no Ópera (9ème) e alguns Carrefour City espalhados pela cidade.

b) os horários são completamente irregulares: alguns abrem às 9 h e outros às 10h. Alguns fecham às 19 h, outros às 21h, outros às 22h e outros às 23h. O horário aos sábados se encerra por volta das 16 horas e é comum não encontrar nada aberto aos domingos. Outra diferença: se o estabelecimento fechar às 22 h, por exemplo, você não entra após às 21h e 45 min, pois o horário de encerramento é para a saída dos empregados. E não adianta insistir, sorrir, ficar indignado, fazer beicinho, "jeitinho" não funciona muito por lá.

c) os supermercados são pequenos mas não é como no seu bairro, naquele que você pergunta: - tem isto ou aquilo? - tem, mas acabou. Há uma fartura que te deixa meio sem critérios de escolha em um primeiro momento.

d) após às 21 h uma voz gravada em francês e inglês anuncia que não é mais permitida a venda de bebidas alcóolicas, e eu vi jovens franceses, ingleses e alemães tentarem dar um "jeitinho" sem nenhum sucesso. A lei é rigorosamente cumprida.

e) O Monoprix passou a cobrar 0,30e por saco plástico mas voltou atrás porque o Franprix os manteve gratuitos.

f) em alguns Monoprix você pode se alimentar no próprio local com o que acabou de adquirir, há mesas e forno microondas para tal. Eu vi um executivo de uns quarenta anos se utilizar deste recurso.

h) o que vale a pena comprar nos supermercados? Quase tudo: sucos, pães, queijos, congelados, biscoitos, chocolates, café, sorvetes, balas, etc. Material higiênico é um pouco mais caro do que aqui: lá comprei escovas de dente, shampoo e pasta de dente a 3e=R$7,20 cada.

Outros preços:

Mousse de chocolate: 1,50e.
Chocolates Lindt: 1,50 a 2e.
Chocolates Monoprix: 1,30 a 2e pacote com duas ou três barras.
Sucos Monoprix: 0,92e.
Sucos Tropicana: 2 a 3e
Batata Pringles: 2,20e.
Cherry Coke (1,5l): 1,60e.
Queijos (ótimos): 2 a 5e.
Pacote com dez pães de batata: 1,50 a 2e.
Pacote com seis croissants: 2e. (nas padarias saem fresquinhos por 0,70e.)
Tiramissu: 2e.
Vinhos: a partir de 3 euros.

Note bem: estes são produtos de supermercados e alguns têm a qualidade apenas razoável. Se você faz questão de sempre comer bem procure lojinhas como a Dod's (ao lado do Monoprix do Beaubourg tem uma) onde você pagará o dobro ou o triplo do preço dos supermercados por produtos finos com enorme variedade de opções. Lá comprávamos flute de azeitonas verdes por 1,35e e havia baguettes por até 4 euros (as comuns de padaria custam menos de 1 euro).

Tenha consciência de que com 20 euros você faz uma senhora compra para um jantar ou lanche noturno. Eu não gastava mais de dez euros no fim do dia e éramos três pessoas.

E, por último, não há proibição de que pessoas hospedadas em hoteis não possam levar mantimentos para o quarto, salvo risco para saúde de terceiros e odores insuportáveis. A questão se isto é elegante ou não escapa ao objeto deste post.

Bon apetit!


Châtelet Les Halles/Forum Les Halles (1er)








O centro do centro de Paris é o complexo ferroviário/comercial Châtelet Les Halles. Para efeitos de metro há Châtelet, há Les Halles, e há Châtelet Les Halles, não é tudo a mesma coisa mas formam uma massa que não sei como distinguir.

A dez minutos a pé do nosso apartamento no Marais procurei a entrada da estação de metrô Les Halles porque dela parte uma série de ramificações e inclusive o RER B3 para o aeroporto Charles de Gaulle. Não encontrando a entrada fui dando a volta e o cenário é fantástico. 




Entrando por uma galeria dei de cara com um enorme shopping subterrâneo, com quatro andares ,que foi a alegria geral minha e de meus familiares e amigos. Lá estava a...Fnac.













Fechado provisoriamente. Nós vos agradecemos a vossa compreensão. Quê isso, não há de quê, rs...








O Forum Les Halles abre de segunda a sábado, de 10 às 20 horas, se me lembro bem. A Fnac tem um acervo gigantesco de cds, dvds, livros e quadrinhos, dá para passar dias inteiros lá dentro. Maior do que esta dos Les Halles eu posso acreditar que exista somente em Nova York, Londres ou Tóquio. Alguém tem essa informação? Comente aqui.











Na próxima vez que for a Paris vou tirar um dia inteiro somente para a Fnac.

Cuidado: os atendentes da Fnac vão dos secos aos abertamente grosseiros. Procurei cds de uma banda eletrônica dos anos setenta, mas que os desinformados classificam como new age. Perguntei em francês onde poderia encontrar cds de Tangerine Dream e Klaus Schulze, o jovem funcionário do setor de música eletrônica revirou os olhos com desprezo diante da pergunta e me apontou, grosseiramente, para a banca de new age, como se eu fosse obrigado a aceitar esta classificação e esquecendo-se completamente o respeito a uma pessoa, cliente, além de tudo. Perguntei sobre o novo livro de Umberto Eco, e uma atendente de terceira idade me disse com secura: está na parte de literatura. É mesmo?!, eu não podia imaginar, eu pensava que estava no setor de frutas e legumes, ora, vá...., são mais de vinte seções de literatura!

Comentei sobre este fato a uma senhora francesa no trem de volta ao De Gaulle e ela me afirmou que eles são assim em todas as Fnacs.


McDonalds em Paris (1er)



Você diria que este é um ambiente da rede McDonalds? As franquias de lá se dividem entre os McDonalds "comuns" e o os McDonalds Cafés. Quais são as semelhanças com as do Brasil? São lanchonetes de sanduíches, e os atendentes usam uniformes (menos feios do que os daqui).

As diferenças: as lanchonetes não são idênticas, os M.D. Cafés estão adaptados ao paladar francês, há uma variedade maior de sanduíches e outras opções, inclusive para vegetarianos como eu. Os preços são convidativos.

O Big Mac de lá chama-se Happy Meal e consta de: uma bebida (refrigerante, suco ou outra coisa), o sanduíche e uma sobremesa, tipo polpa de frutas, além do brinquedinho. Preço: 4e=R$9,50. Os assentos são acolchoados, são poltronas e mesas bonitas. Os banheiros tem entrada única, como é comum por lá. Todos os atendentes falam inglês com perfeição.

Na França a cultura estadunidense convive com a local. Não é como no Brasil que o american way of life prevalece (ou subordina, como queira) a identidade nacional.

Não fui à Paris para comer de McDonalds, mas eu não estava sozinho. É prático.

Louvre (1er)



Voltamos de Montparnasse por meio de ônibus (linha 95 em direção ao norte, Porte de Montmartre) em direção ao centro de Paris. Enquanto conversava com uma jovem e muito simpática francesa do Languedoc demos de cara com a pirâmide do Louvre, resolvemos descer do ônibus, já era tarde para entrar no museu (20 horas, o dia completamente claro) mas aproveitamos para tirar algumas fotos:


Do Louvre, em sentido para o oeste, você vê o Obelisco, a Champs Elysées e o Arco do Triunfo.




Esta é a principal, mas não é a melhor entrada para o Louvre. Aqui você fica duas horas na fila. Na outra entrada, de dez a quinze minutos. Mais adiante.


sexta-feira, 29 de julho de 2011

Mês das liquidações


Você já teve a sensação de que, no nosso ou no seu país as liquidações são um embuste? O valor de mercado de um produto qualquer é x, o fornecedor cobra 2x, e depois reduz para x dizendo que deu um desconto de cinquenta por cento.





O que eu vi foi o seguinte: 70% de desconto mesmo, de verdade: dez pares de meias masculinas por 5 euros, guarda-chuvas por 10 euros, camisas pólo por 7 euros, cds a 5 e 7 euros, dvds a 10 euros, dvds blue-ray a 15 euros, romances policiais a 7 euros, sapatos a 20 euros, calças jeans a 30 euros, etc. E são produtos de qualidade razoável, ao menos. Na C&A de Montparnasse havia jaquetas forradas masculinas a 7 euros!


Montparnasse (14ème)

Montparnasse é um bairro de "periferia". Os bairros "chiques" de Paris vão do 1er ao 9ème arrds. Do 10ème ao 16ème já é periferia, e do 17ème ao 20ème então, nem se fala. Olhe as fotos abaixo e veja se elas se assemelham à periferia de sua cidade:








Adorei Montparnasse, a impressão é de que as pessoas de lá são mais simples, menos esnobes do que em Champs Elysées (8ème) e Ópera (9ème), por exemplo. O bairro é muito bem assistido por todos os recursos e fica a menos de dez minutos de metrô do centro (1er) de Paris. Foi em Montparnasse que descobrimos as liquidações de Paris.

Ônibus



Andar de ônibus é bem prazeiroso: não os tomei em momento algum lotados, há três portas que são utilizadas indiferentemente como entrada e saída, os pontos são informativos, cobertos e bem localizados.Você é informado quanto tempo falta para que o ônibus chegue ao ponto de ônibus e a cada novo ponto. A pontualidade é britânica. O trajeto é especificado fora e dentro dos veículos. Há câmeras de segurança.

A primeira vez que andei cumprimentei o motorista em francês - há aviso na entrada orientando os passageiros a sempre cumprimentar os motoristas -, ele não respondeu e nem me olhou. Perguntei como se utiliza o bilhete e ele me apontou a máquina rispidamente. Agradeci mesmo assim e fui me sentar. Os locais para pessoas preferenciais são chamados de "places prioritaires" e os franceses não se acomodam neles, os bancos ficam vazios, aguardando as pessoas com deficiências e outras necessidades especiais. Achei muito civilizado, mas um tanto excessivo, basta se levantar e ceder o lugar. Assim como no metrô os bancos próximos às portas são retráteis e há aviso de que em caso de lotação você deve deixá-los e continuar o trajeto em pé. Os passageiros cumprem esta regra com naturalidade.

Na segunda vez que entrei em um ônibus novamente cumprimentei o motorista e verifiquei que o grosseirão da primeira viagem era uma exceção. Daí em diante todos os motoristas eram educados. Um motorista africano me explicou com a maior paciência e lentamente em francês como eu faria para chegar na Torre Eiffel (7ème) a partir da Ópera Garnier (9ème). Um passageiro francês puxou conversa na linha 29, em direção à Rambuteau e quis saber a minha nacionalidade. Quando eu perguntei onde poderíamos descer do ônibus (On descend?) ele não entendeu, pois o verbo é arrêter (On s'arrête?). Você "desce" do metrô e "para" do ônibus. Estas nuances dificultam a compreensão do francês.

Achei um tanto feio, e que não se culpem aos brasileiros, a malandragem dos parisienses de não pagarem pelo trajeto de ônibus. Alguns motoristas esperneiam e fiscalizam a cobrança (validação). Outros fazem vista grossa. Não vi em momento algum os famosos fiscais que pedem o ticket validado de cada um e multam em 25 euros os espertinhos ou os turistas que desconhecem a regra de utilizar o mesmo ticket pelo período máximo de hora e meia. A coisa fica mesmo na questão de consciência de cada um. Uma passagem de 1,25e para um povo que ganha um mínimo em torno de 1500 euros é bem barata, na minha opinião, levando-se em conta que você utiliza apenas um ticket por viagem, passando por quantos veículos precisar.

Andar de ônibus é uma ótima maneira de flanar por Paris poupando os seus pés.

O metrô


Já escrevi anteriormente sobre o sistema de transportes da capital francesa e recomendo-lhes o site oficial da ratp: www.ratp.fr. Entre e brinque à vontade no plan interactif, isto vai ajudá-lo mais tarde a compreender o seu funcionamento e a tomar decisões de trajeto a percorrer.


Tarifas: individual: 1,70e; dez tickets: 12,50e (é a melhor opção); Cartões de 1, 2, 3 e 5 dias: 9,20e; 15,30e; 20,70e; e 29,90e (cuidado: estes últimos perdem a validade no início da semana!). Você os adquire nas máquinas de qualquer estação do metrô. É preciso saber francês, inglês, italiano ou alemão para operá-las. Há máquinas que aceitam cartão de crédito, dinheiro ou moedas, e aquelas que aceitam apenas moedas. Tente a ajuda de alguém para aprender a utilizá-las ou peça ao funcionário do caixa, se o movimento do metrô estiver fraco. Sozinho eu não teria conseguido das primeiras vezes. Depois é muito simples.


Um ticket de metrô vale para qualquer baldeação desde que você não vá para a rua. Não consegui sair do metrô e pegar um ônibus com o mesmo ticket, não deu certo nenhuma vez que tentei, ao contrário do que os blogues sobre Paris costumam afirmar.


Vantagens do metrô: rapidez, praticidade, há placas indicativas para todos os lados.


Desvantagens do metrô: com exceção das estações estilizadas (como as de Roosevelt, linha 1, e Arts e Métiers, linhas 3 e 11, dentre outras) e os músicos e indoors, você não vê Paris do sub-solo; a segurança é forte, mas não é plena; eventualmente há odor de urina (é raro, mas há).


Dois diálogos que tive com caixas do metrô:

- Bon jour, madame. Avez-vous un map? (Bom dia, madame, a senhora tem um mapa?)
- Un map? De quoi? (Um mapa de quê?)
- Je voudrais um map de plan des lignes. (Eu queria um mapa de plano de linhas)

Decidi passar a utilizar o nome correto do mapa:



O mapa é gratuito e minha filha queria um de lembrança. Cheguei em uma estação e disse ao jovem funcionário:

- Bon jour. Je voudrais un Lecture Confort.
- Quoi?
- Un map pour le metro et le bus.
- Ah, vous voulez un Lecture Confort! Ça marche. (Ah, você quer um "Lecture Confort". Tranquilo)

Pô, mas o que foi que eu falei?!rs...



Ande sempre com este mapa. Ele traz o sistema de metrô e RER...


... de ônibus


...e de trens interurbanos.

Não tenha vergonha de lê-los, de consultá-los à vontade. Fique tranquilo que, a menos que você seja francês, japonês, do Magreb (já expliq...), da África sub-saariana, todo mundo vai saber de cara que você é turista estrangeiro, então relaxe e se oriente.

As estações trazem o número da linha, e o nome de suas extremidades, é por elas que você encontra a direção de onde quer ir. Dentro dos vagões há o itinerário nas paredes, próximas às portas, e uma bela voz eletrônica feminina avisa a próxima estação antes e durante a chegada. Se errar alguma vez o trajeto, como eu errei, não fique chateado, use outro ticket que o prejuízo é pequeno. Aproveite as estações para refazer as energias, há bebidas e chocolates nas maquininhas com preços razoáveis. Lembre-se: Paris é muito seco, eu sentia sede constantemente.