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sexta-feira, 25 de julho de 2014

Chegando em Barajas (Madri)

Ficamos sabendo durante o voo, pelo comandante, que a Argentina havia batido a Holanda nos pênaltis. Um argentino vibrou muito, o que provocou risadas. Pela reação vi que o Brasil torceria majoritariamente pelos alemães. Sem monitores tentei dormir, mas foi em vão, não peguei um minuto no sono. Quando estávamos entre as Canárias e a África, imagino eu, o dia começou a amanhecer, mais duas horas estaríamos em Madri.



Eu adoro suco de tomate e nunca vi para vender no Brasil.


O voo chegou em Madri vinte e cinco minutos antes do horário previsto, com duração total de 9h e 20 min. Foi bem tranquilo, e mais tranquilo ainda foi a passagem por Barajas. Moderno, limpo, espaçoso, muito bem sinalizado, vazio, o controle policial apenas carimbou os passaportes e nem nos olhou, tudo muito diferente do que ouvi sobre a Espanha e este aeroporto (a volta foi outra história). Para recolher a bagagem havia um painel informativo preciso e com os minutos exatos em que nossa bagagem seria entregue (foi entregue antes do prazo, na verdade). Adoramos.










Optamos por ir de trem até a estação de Puerta del Sol, próxima ao apartamento. A ideia era ir de trem até onde aguentássemos e pegar um táxi daí em diante, se fosse preciso. De táxi daria mais de 30€, de metrô (linha 8) 5€, e de Renfe Cercanias (trens "municipais") 2,55€ pela linha C1, com baldeação na estação ferroviária de Chamartín para pegar C3 ou C4. Não tem erro, muito fácil e sinalizado, percurso total de uns quarenta minutos. Compra-se ticket nas maquininhas com cartão, notas até 20€ ou moedas. Mas, vou avisando: tem que saber ler em espanhol ou inglês, e falar portunhol não resolve. Vou narrar as minhas experiências adiante.






Estávamos na Espanha, estávamos em Madri, o quarto país que conhecemos.





Decolagem do Rio rumo a Madri



Take off é tão legal que merece um post só para si.


Voo Iberia Rio-Madri não possui monitores individuais e Galeão não evoluiu em nada


Escolhemos ir a Madri por um conjunto de fatores: língua, preços, clima, cultura, voo direto, etc. Partimos no voo de 18h e 45 mim do dia dez de julho, logo após o trauma da derrota de sete a um para a Alemanha. O bilhete custou R$2880,00 comprados em fevereiro. Ao contrário do que me informei no site Seatguru, os A340 da Iberia não contam com monitores individuais. E isto é um grande problema.


O Galeão não é um aeroporto internacional digno do nome.Apesar do aviso "estamos fazendo obras para melhorar etc e tal", não vi reforma nenhuma. Não há wifi, as lanchonetes são as mesmas, e uma loja das pobres free-shops fechou. Não havia ninguém no setor de informações e improvisaram uma tv para que pudéssemos ver o jogo entre Argentina e Holanda. Levamos lanche de casa para não sermos lesados pelos preços locais, como no ano passado.




Aeroporto vazio, o check in e controle de embarque foi rápido e sem filas. O embarque começou realmente às 18 horas, conforme anunciado, o que não ocorreu com Air France, British e TAP nas viagens anteriores. Ponto para a Iberia.


A diversão a bordo é complicada, pois há somente monitores centrais que passam um ou outro filmeco blockbuster, jornais e rádios (poucos e sem grande variedade). Gostei deste jornal catalão escrito em espanhol. Os anúncios foram em espanhol e inglês e as comissárias não falam português básico, as companhias aéreas não cumprem o que estipula o Código de Defesa do Consumidor.


Pouco antes do horário o avião começou a taxear, o que é surpreendente. Andou um pouco, parou por vários minutos e o comandante avisou que retornaríamos para avaliar os motores que não atingiam a potência máxima. Pensei: estava bom demais para ser verdade, isto fica para amanhã. Uns dez minutos depois o comandante avisou que estava tudo resolvido (!), que o atraso de vinte minutos seria compensado ao longo do voo, e que chegaríamos vinte e cinco minutos antes do previsto em Madri (o que de fato aconteceu).




As companhias aéreas continuam não entendendo o que é comida vegetariana (asiática, no nosso caso).Com exceção do gostoso arroz com molho, tudo o mais foram verduras e frutas, é o estereótipo que o onívoro tem da comida vegetariana. Mas não passei fome.


O check in online da Iberia se inicia às 0h do dia anterior ao voo. As poltronas já vem marcadas, não há opção de escolha, como tivemos na British e na TAP, mas as poltronas 24J e 24L nos foram vantajosas, em cima da asa do avião, nas laterais. Eu gosto bastante e é prático. Para fazer o check in é necessário preencher os dados completos do passaporte, com a validade, não me recordo disto em outras companhias. A Espanha é mais burocratizada que o Reino Unido, por exemplo.










Pasamos dos semanas en Madrid


Passamos nossas férias em Madri e cidades vizinhas por duas semanas. Foi ótimo. Vou contar tudo a partir de agora, dando sempre destaque às informações úteis e conteúdo de civilização e cultura aos leitores. Divirta-se.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Adeus, Lisboa (2)


Chegamos na área de embarque duas horas antes do voo. Passamos pelo free shop (pequeno) mas não compramos nada. Nesta hora eu gosto de observar os aviões decolando, isto remete à minha infância e quase sempre como uma novidade para mim pois não há grandes aeroportos onde vivo e só passei a voar há alguns anos atrás.


Havia um grande número de passageiros venezuelanos esperando o voo direto para Caracas. Com duas horas de atraso, às 13h e 30min, os passageiros começaram a cantarolar, protestar e cobrar providências. As explicações da TAP  não os deixaram tranquilos, lógico, tinham toda razão. Quando começou o nosso embarque, por volta das 14h e 30min, foi a gota d'água, pois o avião com destino a Caracas sequer havia "estacionado". 

Um homem de seus trinta e cinco anos, com um tipo físico e fisionomia muito semelhante à de Hugo Chávez, vestido com um uniforme de desportista com as cores e símbolos de seu país, gritou para os demais passageiros: "¡Vámonos!". Um grupo de meia dúzia de pessoas, com o sujeito à frente, simplesmente entrou na nossa fila e disse que não iria deixar ninguém embarcar enquanto a TAP não solucionasse o seu voo. Eu fiquei na minha, sabia que esta postura combativa típica de nossa cultura não iria surtir muito efeito ao norte do Equador. A atendente portuguesa, com educação e firmeza, disse-lhes que teria que chamar a polícia. Os policiais chegaram e educadamente alertaram o passageiro e seu pequeno grupo que dali sairiam diretamente para o "tribunal" (suas palavras), o que implicaria em maior atraso do voo, óbvio. Enquanto não se resolvia o impasse, foi permitida a entrada de gestantes, idosos e crianças. Numa dessas um jovem disse que iria entrar à força e peitou o venezuelano. O cara ficou desarmado diante do jovem impetuoso, baixou a guarda e aí não teve mais jeito, todos entraram, nós inclusive.








Infelizmente não havia vagas nas janelas, não pude filmar a "descolagem", como fiz em Londres.






O almoço vegetariano da volta foi melhor do que da ida, fica claro que se deve à diferençados serviços prestados em cada país pela empresa terceirizada contratada para fornecer refeições.


Foi a primeira vez que sobrevoei o norte da África, nenhuma rota de voo é completamente regular ou linear, pelo visto, há sempre umas quebradas.

Bom, a volta não me faz recordar maiores eventos, lembro apenas que a fila no Rio, para carimbar passaportes foi longa, havia apenas uma funcionária (e ninguém na Receita Federal, como das outras vezes).

Quando cheguei em casa, quase à meia-noite, eu desmontei na cama de tanto cansaço, quase um dia completo sem dormir.











Adeus, Lisboa (aeroporto de Portela)









Duas semanas passam rápido quando você está feliz. O voo estava marcado para as 15h e 05 min. Deu tempo de almoçar com calma. Optamos por ir de táxi pois o metrô possui lances de escada na baldeação que desanimam quem está com malas pesadas. Chamei o táxi por celular e em menos de cinco minutos um mercedes chegou. O motorista era um ex-combatente na guerra da Angola que teve uma conversa muito boa comigo. Ele optou por um trajeto mais longo para o aeroporto mas eu gostei porque não o conhecia e me custou apenas mais um euro (14€, gorjeta incluída). 

Chegamos com três horas de antecedência e fomos para a fila da TAP. Um funcionário muito educado e simpático nos orientou sobre a fila. Era uma fila única mas com muitos atendentes, não ficamos nem quinze minutos apesar da enorme quantidade de passageiros. O aeroporto de Portela é de primeiro mundo, muito fácil de se locomover e moderno.


Aproveitamos para fazer outra refeição. Uma fatio de pizza com refrigerante saiu por cerca de 3,50€, um pouco mais caro do que na cidade. Se fosse nos aeroportos do Brasil não sairia por menos de vinte reais.







Na hora de passar pelo controle policial havia filas para os membros da União Europeia, uma para os da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (inoperante) e Todos os Passaportes. Entramos nesta última e um funcionário nos indicou erroneamente a da União Europeia. Disse que éramos brasileiros, mas uma vez constatei que nem mesmo os portugueses conhecem a composição étnica do Brasil.















Cinemateca Portuguesa


A Cinemateca Portuguesa (Rua Barata Salgueiro,39,estação Alameda, linha azul) é uma instituição autônoma fundada nos anos cinquenta.É a casa do cinéfilo, só passa filmaços. A sala é amplíssima (não se pode fotografar ou filmar) é um templo do cinema. o cliente recebe uma resenha explicando o que irá assistir. Vimos um dos primeiros filmes do tcheco Milos Forman (de Amadeus), uma sátira ao comunismo,  Os amores de uma loura (1965). Eu iria a qualquer filme, mas foi bom ter gostado deste. O ingresso custou 5,40€, abaixo do que é cobrado nos cinemas comerciais (entre 8 a 10€). A programação é variada, algo em torno de vinte filmes diferentes por semana. Este tipo de espaço me faz muita falta.