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sábado, 10 de dezembro de 2011

Os melhores cinemas independentes de Paris (2)







A Cinemateca Francesa é uma construção cubista, com quatro telas de projeção, uma livraria, um restaurante, um espaço para exibições e o Museu do Cinema, com vastíssimo acervo. A Cinemateca exibe retrospectivas, clássicos, cult movies, experimentais, etc. Localizada na Rua Bercy, 51, 12e. Entrada: 5e (=R$13) e cinema: 6,50e (=R$17). Passe anual: 34e. (=R$90). Metrô: Bercy (linhas 6 e 14)

http://www.cinematheque.fr/

Os melhores cinemas independentes de Paris (1)







O Le Balzac foi construído em 1935, e se destaca pelo design e pela programação. O gerente J.J. Schpoliansky tem o hábito de receber os espectadores em pessoa. O cinema atribui prêmios aos filmes por meio de votação entre o público. Por estes dias o cinema está com a mostra De Roma à Paris, com doze filmes italianos inéditos, entrada gratuita. O Le Balzac fica na rua Balzac, 1, perpendicular à av. Champs Elysées, 8e. arr, estação George V, linha 1. Ingresso a  9 euros (=R$23) (tarifa plena).

http://www.cinemabalzac.com/public/index/index.php

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Quanto ganham e gastam os parisienses.



É comum as pessoas quererem saber quanto ganham as pessoas de países socialmente mais justos. Há valores que estão sempre por aí, nos comentários de quem viaja. Assim, por exemplo, sabe-se que nos EUA professores universitários e advogados começam ganhando em torno de cinco mil dólares, motoristas de táxis em Nova York tiram uns seis mil dólares, garçons com dois empregos uns mil e oitocentos dólares, operários da construção uns dois mil e quinhentos e por aí vai. Na França eu sabia apenas que médicos em início de carreira mal passarim dos três mil euros, o salário mínimo está em torno de mil e duzentos, e uma babysitter pode tirar entre cem a cento e cinquenta euros por dia. A revista Rue89 (uma homenagem tanto à revolução francesa como a queda do leste europeu) tem uma seção dedicada à pessoas que relatam detalhadamente quanto ganham e gastam por mês. Alguns exemplos:

Profissão
Salário
Gastos
Morad
Saúde
Transp
Alime
Educ
Lazer
Impos.
Funcio.territ.
1893
1400
750
46
142

200
140
80
Jogad.futsal
2013
1929
580

160
300

250
29
Estag.empresa
1400
1244
234
100
100
330
150
100

Advogado
3200
1794
515

292
275

225
178
Pres.Jovens Socialistas
1074
1074
400
38
100
330
80
80
0
Assistente parlamentar
2133
1440
850
18
56
200
229
100
195
Prof.recup. esc.part.
1140
1100
530

56
200

0
100
Microempres.
1600
1547
455
0

200

90
50
Médico espec.
18300
13800
2500
660
1250
1500
2500
1400
2500

Fonte:http://www.rue89.com/rue89-eco/votre-porte-monnaie-au-rayon-x#list_head_anchor


Quanto custa residir em Paris






Studette de 9m2, no oitavo andar (elevador até o sétimo) no 8ème arr., ótima localização (Champs-Elysées), por 620 euros. Como é possível morar em um cubículo? Indo para a rua curtir Paris.



Eu venho acalentando o sonho de me mudar para Paris após a minha aposentadoria. E como não gosto de sonhar acordado comecei a concretizar as minhas expectativas. Acho que o primeiro passo é verificar a viabilidade de pagar um aluguel residencial, o que na capital francesa é bem caro comparativamente ao Brasil. No mais, todo o resto me pareceu menos expensivo do que na Terra brasilis. Fiz uma tabelinha que disponibilizo para o(a) leitor(a).

Observações importantes: os apartamentos são mobiliados e o valor não inclui taxas. Há milhares de imóveis de absurdos 9 m2, voltados para as empregadas domésticas do entreguerras. Muitos e muitos edifícios de seis a oito andares não possuem elevadores. Regra geral, os apartamentos parisienses têm a metade do espaço dos brasileiros, ou menos. Os bairros mais econômicos vão do 17e ao 20e arrondissements. Eu pesquisei apenas a cidade de Paris, circuncrita ao Anel Periférico, nas muitas cidades vizinhas da Île de Paris há alugueres mais em conta.


Cômodos
Área (m2)
Valor (euros)
1
9 a 12
400 a 750
1 ou 2
13 a 20
500 a 900
1 ou 2
21 a 30
600 a 1200
2 ou 3
31 a 50
800 a 1500
2 a 4
51 a 100
1200 a 2800
4 a 7
101 a 150
2500 a 4000

Fonte:http://www.pap.fr/

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

O aeroporto mais odiado do mundo


O CDG (aeroporto internacional Charles de Gaulle), segundo enquete realizada pela CNN (http://www.cnngo.com/explorations/life/10-most-hated-airports-324645?page=0,1), foi identificado pelos usuários como o pior aeroporto do mundo. Já descrevi a minha experiência em posts anteriores. Com exceção das maquininhas de détaxe (apenas duas e inoperantes) e um funcionário que não sabia -ou se recusava - a falar inglês com os passageiros, o CDG me pareceu limpo, organizado, de fácil identificação e agradável. Se ele é o mais odiado do mundo, não há por que se preocupar com os demais.


quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Paris vs New York
















Semana que vem um francês que mudou para Nova York (Vahram Muratyan) lança uma obra - Paris versus New York. A tally of two cities comparando as duas cidades por meio de seus ícones (12,60e=R$36). Achei bem legal o trabalho dele. Editora 18/10, 224p. Eu voto na primeira.


sábado, 22 de outubro de 2011

Salon du Chocolat



Desde a última quinta-feira (20 de outubro) até a próxima segunda-feira (24 de outubro) está acontecendo o Salão do Chocolate, na Place de Porte de Versailles (metrô linha 12). Aberto entre 10 e 19 horas. Entradas a 12,50 euros (R$ 33, aprox., câmbio turismo), vendidas na Fnac e Virgin. Há diversas atividades e workshops. Maiores informações: http://www.salonduchocolat.fr/faq.aspx



sexta-feira, 21 de outubro de 2011

A bela e o monstro ou o sonho de Adolf.



"Depois, em 28 de junho [1940], antes de que a maioria dos parisienses acordasse, ele fez sua única visita à capital francesa ocupada. Não durou mais do que três horas.  Acompanhado pelos arquitetos  Hermann Giesler e Albert Speer, e por seu escultor preferido, Arno Breker, Hitler desceu no Aeroporto de Le Bourget às 5h e 30 min, extraordinariamente cedo para ele. O tour rápido começou na Ópera Nacional de Paris. Hitler ficou emocionado com a sua beleza. Passaram de carro pela igreja Madeleine, cuja forma clássica o impressionou, subiram o Champs Elysées, pararam no Túmulo do Soldado Desconhecido, sob o Arco do Triunfo, contemplaram a Torre Eiffel e observaram em silêncio o túmulo de Napoleão nos Invalides. Hitler admirou as dimensões do Panthéon, mas achou o seu interior "uma decepção terrível" e parece ter ficado indiferente às maravilhas medievais de Paris, como a Sainte Chapelle. A excursão terminou curiosamente no monumento à devoção católica do século XIX, a igreja de Sacré-Coeur. Com uma última vista do alto de Montmartre, ele foi embora. Ver Paris, contou para Speer, era o sonho de sua vida. Mas, para Goebbels, disse que achara grande parte da cidade muito decepcionante. Havia pensado em destruí-la."

Fonte: KERSHAW, Ian. Hitler. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. P.594-5. 1077p.

domingo, 16 de outubro de 2011

Dia Mundial do Pão.



Croissant na Chocolat Rouge. 3 por 2,10 euros.
50 Rue Rambuteau, 750004.
Em frente ao Beaubourg.
Que delícia...

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

domingo, 9 de outubro de 2011

Filmes parisienses (6)


Paris
(2008)


Dos filmes que vi sobre Paris este é o que se aproxima mais da visão que tive da cidade. Não é glamouroso, hollywoodiano, blasé, esnobe, ou que tais. A Paris mostrada é a do quotidiano de pessoas comuns, há beleza, mas os clichês estão reduzidos ao mínimo. O filme é semelhante a Short Cuts ou a Les uns et les autres: a vida das pessoas se cruza de uma certa maneira, mas cada um vive a sua dor e a sua alegria intransferível.



Um bailarino que tem apenas alguns meses de vida, sua irmã que possui três filhos de dois casamentos frustrados, um professor de História que se paixona por uma aluna, a sua jovem aluna que usufrui da sua beleza, uns feirantes, e um camaronês que sonha com uma nova vida na França.



Dá-lhe Montmartre, o filme está locado lá, mas de uma forma diferente de Amélie Poulain. Filmado no outono e no inverno, quem teve a oportunidade de conhecer a capital francesa vai gostar de identificar os diferentes bairros e ruas da cidade. Quem ainda não foi, vá enquanto estiver vivo.


quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Filmes parisienses (5)


















Mes amies, este filme nem parece que é de Godard, o chato. Nana (Anna Karina) é uma jovem atriz (ou pretendente a atriz) que larga marido e filho pequeno para tentar a carreira cinematográfica. Vai trabalhar como balconista em uma loja de discos na Boulevard Saint-Germain (5ème), Paris, 1962. Sem dinheiro para pagar o aluguel é ilegalmente despejada pelos próprios locadores. Enquanto passeia a esmo, sem saber o que fazer, um rapaz a confunde com uma prostituta e lhe propõe um programa. A moça, sem desespero, mas sem opções, entra amadoristicamente neste ramo. Esta é a principal temática do filme.

O tratamento dado ao objeto diferencia-se de tudo o que já vi: não é aquela coisa apaixonada dos filmes latinos, em que anexa à descida aos infernos há um discurso calejado sobre a exploração social, não é moralista à maneira do fundamentalismo estadunidense e nem aquela coisa inglesa de que toda perversão é divertida. A transição da moça para a prostituição ocorre gradativamente, aos poucos ela se enquadra no novo papel social, e há um diálogo que funciona como um manual de introdução ao trabalho nas ruas, citando inclusive as fontes normativas pertinentes ao assunto.

O filme é dividido em doze capítulos, com subtítulos, há diversas referências literárias e a filmes clássicos dos anos vinte e trinta, e também a Truffaut, Louise Brooks, a guerra da Argélia (preste atenção na cena de uma rajada de metralhadora!).... Há também um ótimo diálogo da protagonista com um filósofo em um café parisiense, sobre o pensamento, a palavra e o amor, naquele jeito esférico de filosofar típico dos franceses.

Sem dúvida nenhuma, é o melhor filme de Godard a que assisti até o momento, bem mais interessante do que Acossado.

É muito legal também ver a Paris do início dos anos sessenta, você reconhecerá certamente o Quartier Latin, a região do teatro Châtelet e o maior destaque vai para a Champs-Élysées. Acho que o ar provinciano da cidade ainda se conserva, de certa forma, meio século depois.


terça-feira, 13 de setembro de 2011

Voltando para casa



A volta para casa pode trazer alguns transtornos. Vou separar as informações com base na experiência que tivemos.

1. Confirme o seu voo por email e imprima o documento com antecedência. Havia indício de greve e atrasos nos voos.

2. É melhor partir de casa com três horas de antecedência. Se for receber a sua détaxe terá que enfrentar filas.

3. Saímos da estação Châtelet/Les Halles no RER B3 às 7h e 10 min. O trajeto até o terminal 2F do aeroporto Charles De Gaulle levou pouco mais de trinta minutos e custou 9,10e=R$22 por pessoa. Por táxi o tempo estimado é de 50 min e custo entre 50 e 60 euros. Por trem a desvantagem é que você corre o risco de ir em pé todo o trajeto. Se optar, ainda assim, por ir de trem, escolha o último vagão que é mais espaçoso para você e sua bagagem.

4. Descendo no segundo ponto do De Gaulle procure o terminal de sua companhia. Para os voos diretos da Air France vá para o segundo andar, no sexto guichê.

5. Com o documento que você imprimiu vá a um dos vários terminais de autoatendimento e siga as instruções (em português) para imprimir as passagens. É fácil e rápido.

6. Vá para o check in, é muito parecido com o do Brasil, menos no fato de que não há um funcionário para colocar a sua mala na pesagem.

7. Aqui no Brasil a Air France informa em seu site que você poderá despachar duas malas com até 32kg cada, nos diretos (internacionais). Mas em Paris, quando você imprime o documento por email você é informado de que o limite é de 23kg cada, para passageiros das classes econômicas, então é bom ficar atento. Juridicamente vale o que você contratou aqui no Brasil, problema do fornecedor se informa incorretamente pelo site de vendas, mas vá fazer valer o seu direito em uma hora dessas, em outro país, falando outro idioma.

8. Após o check in vamos para a fila maior, a do controle policial. Há duas filas, na verdade, mas um dos aparelhos de raios x deu defeito. Um funcionário do aeroporto avisou, em francês, de que teríamos que pegar outra fila. Uma brasileira atrás de mim perguntou: "english?". O funcionário disse: "Non", e repetiu a instrução em francês. Eu acho um absurdo, um funcionário de um aeroporto internacional em uma cidade repleta de turistas e estrangeiros não saber inglês básico. A culpa não é dele, como pessoa, mas da administração do aeroporto.

9. A fila do controle policial era dividida entre portadores de passaportes europeus e os de outros continentes. Apesar da tentação de sentirmo-nos discriminados, as duas filas fluíam com quase a mesma intensidade. Após uma meia hora estávamos no saguão de embarque, que você vê na foto.

10. Ainda havia quarenta minutos para o embarque, e eu procurei as tais maquininhas de détaxe. Encontrei duas, ambas com defeito. Foi a primeira vez que pensei não estar em um país desenvolvido.

11. A área de embarque é repleta de lojas, restaurantes e lanchonetes.

12. O voo saiu com duas horas de atraso, devido, em primeiro lugar, ao fato de que havia uma poça de combustível próxima à uma das rodas, e os bombeiros não queriam dar permissão de decolagem enquanto o problema não fosse esclarecido e resolvido. Depois o mecanismo de tração de combustível não funcionava corretamanete e o tanque não abastecia por completo.

Hora de voltar para casa...

13. Com uma viagem tranquila, e com o menu da volta de melhor qualidade do que ida, chegamos ao Rio de Janeiro sem outros aborrecimentos. Comprei um perfume no free-shop acreditando que os preços aqui eram mais convidativos do que em Paris, no que diz respeito a perfumaria. A diferença a menor era de apenas um euro e alguns centavos.

14. Passar na alfândega é que foi curioso. Nada do que se vê em filmes e ouve-se nos relatos alheios. Apenas entregamos uma declaração, em português, distribuída durante o voo, em que afirmamos estar de acordo com a legislação tributária brasileira em todos os ítens (é só marcar não em todas as questões). Não vi luzes acendendo verde ou vermelho e nem fiscalização nas bagagens. Não sei informar se é sempre assim.
Veja bem: nós realmente não infrigimos a legislação, não adquirimos nada além dos limites, não estou induzindo ninguém a burlar dada à fragilidade da fiscalização.

Bom, aos meus leitores, é tudo o que tenho a dizer. Quaisquer dúvidas é só comentar nos posts que eu responderei o que souber com o maior prazer.

Um abraço a todos e bons passeios!