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segunda-feira, 30 de maio de 2011

Inconfidência francesa

Paris confidencial
(2009/144p./R$28,90)





Este manual é específico para moda, design e cultura como o título já indica. Claro que, em se tratando da capital francesa, um guia com cento e quarenta e quatro páginas não tem como ser exaustivo, mas está voltado pra referências permanentes. Achei bem útil, portátil e de consulta agradável.


sexta-feira, 27 de maio de 2011

Filmes parisienses (3)


Le ballon rouge
(1956)



Um garoto parisiense encontra um balão vermelho amarrado a um poste em uma escadaria no caminho da escola, ao sair de casa (próximo a rue de Ménilmontant, 20ème arr.)




Não lhe permitem pegar o ônibus e ele sai disparado pela rua até o colégio. Na volta para casa, um dia chuvoso de outono, ele vai por diversos bairros pedindo carona nos guarda-chuvas dos pedestres.




Irritada com o seu atraso, a mãe lança o balão pela janela, mas este se recusa a abandonar o garoto.




O balão não deseja que o garoto o segure pelas mãos, mas o acompanha por onde quer que ele vá.




E dá-lhe meia hora de Paris nos anos cinquenta.




Belo.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Carteiras internacionais de estudante e de professor



Hoje fiz a minha carteira internacional de estudante. Basta levar fotocópia de identidade, cpf, uma declaração da instituição de ensino que voce frequenta (ou fatura de mensalidade) e uma foto 3x4, e preencher uma fichinha enjoada. Não fiquei mais de quinze minutos lá. A carteira é feita na hora, custa quarenta reais com validade até março do ano seguinte. Aqui em Juiz de Fora é confeccionada na STB (Student Travel Bureau), localizada na rua Moraes e Castro, em frente ao Alameda, em cima de uma loja de suplementos de Informática. A carteira internacional de estudantes dá descontos em eventos e museus do mundo todo. Há também a carteira internacional do professor, os documentos são os mesmos, o custo é de trinta e cinco reais, mas os seus benefícios são em muito menor número do que a dos estudantes, coitada de nossa classe.



Você pode encomendá-las via internet, caso a sua cidade não tenha uma representante da ISIC/ITIC, mas vai levar mais de um mês para ser entregue na sua residência. Há também uma carteira para menores de vinte e seis anos, que, em tese, garantiria gratuidade ou meia entrada em quase todos os museus e eventos parisienses, mas é bom averiguar porque este benefício é somente para cidadãos da comunidade europeia, salvo melhor informação.



sexta-feira, 29 de abril de 2011

Vive la république!



Segundo pesquisa publicada na Folha de São Paulo, apenas 37% dos ingleses demonstraram interesse pelo casamento de suas altezas, a despeito da cobertura da tv brasileira dizer que todo o mundo estava maravilhado. Independentemente de alguns momentos de beleza, achei este casório todo um carnaval. Deixo aqui o meu protesto com esta imagem clássica da república: "La revolution française", de Eugène Delacroix (1798-1863). Vive la république!

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Filmes parisienses (2)






Mon Oncle
(1958)

Este filme é puro cinema. O humor na era da ingenuidade, mas em pleno auge da Guerra Fria. A crítica bem-humorada numa era pré-maio de 1968. O humano versus o tecnologico. Os valores permanentes versus os efêmeros. Quem já foi criança vai gostar. Jacques Tati dirige e protagoniza como o chapliniano Monsieur Hurlot, o desempregado tio de um garoto que habita uma casa cheia de recursos e permanentemente ensolarada (a Vila Arpel), em um subúrbio de Paris. Esta obra prima influenciou diversos filmes e desenhos. Se você viu Eduardo Mãos de Tesoura, Amélie Poulain e O Ilusionista vai perceber as referências. Sem legendas, as falas são compreensíveis pela linguagem corporal.

História de Paris (3)

Igreja de Saint-Germain-des-Près. (6ème arr.)


A Paris do início da Idade Média encheu-se de abadias e igrejas. No ano de 543 o filho de Clóvis (481-511), Childeberto (511-558) fundou a basílica que deu origem à igreja de Saint-Germain-des-Près (foto) (http://www.eglise-sgp.org/) em que passaram a serem conservadas as relíquias reais. No local onde se situa Notre-Dame foi construída a catedral de Saint-Étienne (catedral é o edifício sede de bispados, portanto há apenas uma por cada diocese), que foi arrasada pela invasão normanda.

A Paris do século VII passou a ser um importante porto fluvial, e judeus e sírios se instalaram na cidade. Mas após a morte de Childeberto, Paris foi disputada entre o seus filhos e um tratado estabeleceu que ela não poderia mais ser a residência do rei. No século VIII o centro político do Reino franco deslocou-se mais ao norte (Austrásia), e Paris tornou-se uma localidade de menor importância.



O Conde Eudes defende Paris dos normandos (885)

Em 885 quarenta mil normandos (vikings) cercaram a Île de la Cité, quarenta anos após iniciarem as invasões ao norte do Sena. Paris resistiu por dois anos, e da família que comandou a defesa da fortaleza se originou a dinastia dos Capetíngios (a partir de 987). Mas a cidade de Paris era virtualmente um domínio do bispo de Paris, e somente no início do século XI a monarquia voltou a ter um palácio real às margens do Sena.


Maquete do Palais de la Cité (século XI)

terça-feira, 5 de abril de 2011

História de Paris (2)



Paris (Lutécia) foi atacada pelos germanos pela primeira vez em 275, por parte dos alamanos. A cidade se encolheu para a Île de la Cité (onde fica Notre Dame) e tornou-se fortificada. Assim descreve a cidade o general Juliano, por volta de 360:

"Aconteceu que, naquele ano, eu me acantonei com as tropas para esperar a passagem do inverno em minha querida Lutécia: esse é o nome com que os celtas designam a fortaleza dos parisienses. Trata-se de uma pequena ilha de pequena extensão localizada no meio do rio, que é cercada por uma muralha de todos os lados e alcançada por duas pontes de madeira que vão até as duas margens. (...) O inverno não é rude, e a temperatura é amena o bastante para que cresçam nas redondezas vinhedos de boa qualidade." (IN: COMBEAU, Yvam. Paris: uma história. Porto Alegre: L&PM, 2009. P.16-7)



O cristianismo na cidade foi introduzido por conta desta época. Cercada de lendas, atribui-se a São Denis (Dionísio) esta responsabilidade, pelo que veio a ser executado na atual região de Montmartre (Monte dos mártires) e mesmo decapitado teria caminhado portando na mão a própria cabeça e veio a falecer lá na atual abadia de Saint-Denis (uns vinte minutos de táxi se você quiser repetir o trajeto do santo).

No ano de 406 para azar dos parisienses o rio Sena congelou e foi uma festa: visigodos, alamanos, francos e borgúndios saquearam os pobres gauleses. Em 451 foi a vez do Flagelo de Deus, Átila, o huno. Dez anos depois e os francos cercaram e saquearam a cidadela. Nestes tempos destacou-se a figura de Santa Genoveva que incitou os parisienses a defenderem a cidade tanto contra hunos como contra francos, e atribui-se à sua figura o abastecimento da cidade com provisões das regiões de Brie e Champagne (bem simbólico, isto). O primeiro rei franco, Clóvis, foi esperto o bastante para fazer um acordo com a dona, converter a si e a seus guerreiros ao catolicismo e entrar pacificamente em Paris, que passou a capital do seu reino em 496.



Esta estória da Santa Genoveva me parece tão verdadeira quanto a de Joana D'Arc....


sexta-feira, 1 de abril de 2011

Gavage

O foie gras é um dos produtos mais tradicionais da culinária francesa. Basicamente é um patê de fígado de pato ou ganso. Os animais são artificialmente engordados por meio de tubos inseridos via oral até o estômago. Por conta deste processo conhecido como "gavage" eles morrem de dez a vinte vezes mais rápido. Penso que, se a quase totalidade da humanidade não consegue - ou não quer, sejamos francos -, viver sem carne nas refeições, podia pelo menos evitar de ingerir produtos de origem cruel. É proibido em apenas doze países.

sábado, 19 de março de 2011

Entrevistas da Paris Review



A Paris Review é uma publicação trimestral e extra-acadêmica de literatura (estou sabendo agora) (http://www.theparisreview.org/). A Companhia das Letras está lançando uma série com as melhores entrevistas publicadas a partir da década de cinquenta. Este primeiro volume traz um pessoal de primeira: W. H. Auden, Paul Auster, Jorge Luis Borges, Truman Capote, Louis-Ferdinand Celine, William Faulkner, Ernest Hemingway, Primo Levi. Achei interessante que cada exemplar (3000) terá uma capa diferente. Isto é que é exclusividade inteligente! (58 reais)




quinta-feira, 17 de março de 2011

Os melhores restaurantes de Paris segundo os consumidores





Da mesma forma com o que é feito para os hotéis, o site trip advisor expõe as opiniões dos consumidores sobre os restaurantes de centenas de cidades pelo mundo afora. Os mais de 6500 restaurantes parisienses estão lá cotados.

O primeiro colocado é o Guy Savoy, com 95% de aprovação, em mais de cento e cinquenta votos. Bom, também há aqueles que o consideraram horrível. (18, rue Troyon, 75017) (http://www.guysavoy.com/). Os menus variam de 299 a 480 euros (cerca de 740 a 1180 reais no euro turismo de hoje) por pessoa. Passo.





Adotando critérios mais próximos ao consumidor padrão, que não vai viajar mais de dez mil quilômetros para passar fome em passeio e nem recebe mensalão, identifiquei os seguintes estabelecimentos em algumas categorias de cozinha (o problema reside no número reduzido de comentários).

a) asiática:

Thai Vien (vietnamita, tailandesa e laoíta) - 56 Avenue de choisy, 75013. Preço médio por pessoa: 15 euros




b) café e sorveteria:

Berthillon: 31 St.-Louis-en-l’Ile 75004. Entre 10 a 14 euros.








c) chinesa:

Délice de Shandong (http://www.deliceshandong.com/) 88, Boulevard de l’Hôpital 75013. O prato principal vegetariano vai de 5 a 10,80 euros. Mas aqui vai uma opinião de vegetariano de longa data: a julgar pelas fotos, até o presente momento os nossos chineses (de Juiz de Fora, mesmo) são melhores que os chineses dos franceses.






d) francesa:

Pasco (http://restaurantpasco.com/) 74, bd de la Tour Maubourg 75007. Fórmula: 27 euros.





e) indiana:

Moghol: 26, rue Caumartin, 75009. Entre 20 e 25 euros.





f) pizzarias

Segundo o trip advisor há apenas quarenta pizzarias em Paris. Então eu vou indicar a mais votada independentemente da faixa de preços:

Amici Miei: 44 rue Saint Sabin 75011




g) vegetariana

O vegetariano mais votado, também em qualquer faixa de preço, foi o Aquarius: 40 rue de Gergovie 75014. Não consegui foto do estabelecimento (como tudo é possível localizá-lo no Google maps). Fórmula por 12 euros.

Como primeira impressão, fico com o sentimento de que, tanto por tanto, come-se melhor aqui no Brasil.


quarta-feira, 16 de março de 2011

A melhor opinião é a do cliente



Se o(a) viajante (e não viajanta, assim como não é correto presidenta) entender ser mais conveniente se hospedar em um hotel do que alugar um apartamento, eu sugeriria, antes de aceitar as dicas das companhias de turismo, ou mesmo aceitando-as, dar uma conferida no site Trip Advisor (http://www.tripadvisor.com.br/). Embora seja um site patrocinado, ele, aparentemente, publica toda e qualquer crítica, com o teor que seja, relativos aos cerca de 1200 hotéis da capital francesa. Fiz um experimento padrão: um casal com dois filhos adolescentes, passando uma semana em Paris, na segunda quinzena de julho, e procurando hospedar em um três estrelas em um raio de cinco quilômetros do Louvre, conforme nota atribuída pelos hóspedes de diversas nacionalidades:


As diárias, neste caso, variam entre 460 a 1040 reais, lembrando-se que na quase totalidade deles será necessário alugar dois aps, pois não é comum quarto para quatro pessoas, pelo que apurei. O trip advisor deu maior destaque aos elogios, mas volta e meia você depara com uma crítica acentuada. É regra geral de que os quartos são muito pequenos e o café da manhã exíguo, pelo menos em se tratando de hotéis três estrelas. O site internacional reproduz os comentários tais como postados na língua original, o brasileiro os traduz, com muitos erros, mas sempre dá para pegar o sentido do que o hóspede quer afirmar. A título de exemplo, deixo aqui o melhor e o pior dos três estrelas parienses, na opinião dos leitores:

Hotel Le Petit Paris: 214 Rue Saint Jacques, 05. Panthéon- Notre Dame, 75005 (http://www.hotelpetitparis.com/fr/index.php) (99% de aprovação) (fotos oficiais)







Hôtel Corona Rodier: 4 Rue Rodier | 9th Arr., 75009 (74% de reprovação) (fotos trip advisor)